Amapá está no centro de uma investigação travada no Senado?
Entenda a ligação entre o Amapá, o rombo do Banco Master e a cobrança pela instalação de uma CPI que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, ainda não pautou.

CPI do Banco Master: por que o Amapá está no centro de uma investigação bilionária travada no Senado?
Nos corredores do poder em Brasília, uma sigla tem gerado debates acalorados e colocado o Amapá no centro de uma polêmica nacional: a CPI do Banco Master. De um lado, senadores cobram a investigação do que chamam de "o maior escândalo do sistema financeiro do país". Do outro, o presidente do Senado, o amapaense Davi Alcolumbre (União Brasil), segura a sua instalação há meses, mesmo com o apoio de mais da metade da casa.
Mas o que o Amapá tem a ver com isso? E por que essa investigação é tão importante para o Brasil? O Conexão Oiapoque mergulhou nos fatos para explicar, de forma clara e imparcial, o que está acontecendo.
O Rombo Bilionário e a Conexão Amapaense
O Banco Master, uma instituição financeira, quebrou deixando um rombo estimado em R$ 47 bilhões. Para investigar o caso, 51 dos 81 senadores assinaram um pedido de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). O requerimento, no entanto, está parado na mesa do presidente Davi Alcolumbre há cerca de três meses, sem ser pautado.
A ligação direta com o Amapá veio à tona em fevereiro de 2026, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Zona Cinzenta. A investigação apura um investimento de R$ 400 milhões da Amprev (Amapá Previdência) – o fundo de aposentadoria dos servidores públicos do estado – em ativos do Banco Master .
Segundo a CNN Brasil, a PF investiga os crimes de gestão temerária e fraudulenta. Um dos alvos da operação foi Jocildo Silva Lemos, então diretor-presidente da Amprev e tesoureiro da campanha de Davi Alcolumbre em 2022. É importante ressaltar que, segundo as fontes oficiais, o senador Davi Alcolumbre não está entre os investigados na operação.
A Pressão no Senado
No dia 24 de fevereiro, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) foi à tribuna do Senado cobrar diretamente o presidente da casa. Ele classificou a CPI como "inegociável" e afirmou que o Senado precisa dar uma resposta à sociedade sobre o caso .
"O senhor não tem como tapar o sol com a peneira com relação ao maior escândalo, a maior fraude do sistema financeiro do Brasil. O senhor tem 51 colegas seus aqui, que assinaram a CPI há três meses quase. Tá na sua mesa", disse o senador em plenário.
Por que uma CPI é importante?
Uma CPI tem poder de investigação próprio de autoridades judiciais. Ela pode convocar pessoas para depor, quebrar sigilos bancário, fiscal e telefônico, e solicitar documentos a órgãos públicos e empresas privadas. Ao final, o relatório da comissão pode sugerir novas leis e ser enviado ao Ministério Público para que os responsáveis sejam processados criminalmente.
No caso do Banco Master, a CPI poderia esclarecer:
Como o rombo bilionário aconteceu?
Houve falha na fiscalização dos órgãos reguladores?
Por que fundos de pensão, como o do Amapá, investiram tanto dinheiro em um banco que veio a quebrar?
Houve pressão política para a realização desses investimentos?
A Reflexão para o Cidadão
Independentemente de posições políticas, o caso levanta questões importantes sobre transparência, responsabilidade e o uso do dinheiro público. Para o cidadão amapaense, a preocupação é ainda maior, pois trata-se do futuro da aposentadoria de milhares de servidores.
Por que uma investigação que conta com o apoio da maioria dos senadores e que apura um rombo bilionário com impacto direto no Amapá ainda não foi instalada? A resposta, por enquanto, está nas mãos do presidente do Senado. A sociedade aguarda.
Senador Eduardo Girão cobra Presidente do Senado
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