Vazamento de fluido paralisa perfuração na Foz do Amazonas
Uma falha ocorrida no último fim de semana interrompeu a perfuração do primeiro poço exploratório da Petrobras na Foz do Amazonas.

Uma falha ocorrida no último fim de semana interrompeu a perfuração do primeiro poço exploratório da Petrobras na Foz do Amazonas. Durante uma rotina de operação a bordo da sonda contratada para o bloco FZA‑M‑059, os operadores perceberam que o nível do fluido de perfuração nos tanques havia diminuído. A investigação com um robô submarino (ROV) identificou um vazamento em duas linhas auxiliares a cerca de 2 700 metros de profundidade. O incidente liberou aproximadamente 14,945 m³ de fluido de perfuração — um produto utilizado para lubrificar a broca e remover sedimentos — diretamente no mar.
O que aconteceu
Segundo nota da estatal, a perda do fluido foi contida e isolada. O material utilizado atende aos limites de toxicidade permitidos e é biodegradável, motivo pelo qual a empresa afirma que não houve danos ao meio ambiente ou às pessoas. As linhas que apresentaram defeito serão retiradas para avaliação e reparo. Embora a Petrobras não tenha fornecido prazo para a retomada, fontes ouvidas pela imprensa estimam que os trabalhos ficarão paralisados entre 10 e 15 dias. O poço permanece em condições seguras, e não há registro de problemas com a sonda ou com o próprio poço.
Dados essenciais
Aspecto | Detalhe |
|---|---|
Volume do Flúido Vazado | 14,945 m³ de fluido de perfuração |
Profundidade do Vazament | Cerca de 2 700 m de lâmina d’água |
Diastância do poço da Costa | 175 km da costa do Amapá |
Distância da Foz do Rio Amazonas | ~500 km |
Profundidade Total do Poço | 7 081 m, sendo 2 880 m de profundidade de água |
Potencial de Reservas Estimadas (Estimativa EPE) | 6,2 bilhões de barris de óleo equivalente |
Prazo Estimado do Reparo | 10–15 dias |
Contexto da perfuração
A exploração do bloco FZA‑M‑059 marca a estreia da Petrobras na Margem Equatorial brasileira. O poço Morpho, localizado em águas profundas do Amapá, fica a cerca de 175 quilômetros da costa e a aproximadamente 500 quilômetros da foz do rio Amazonas. O Ibama concedeu a licença para perfuração em 20 de outubro de 2025, após um processo de licenciamento que se estendeu por mais de dois anos. A perfuração começou no mesmo dia e a estatal estimou cinco meses para completar a campanha.
A área da Foz do Amazonas é considerada altamente sensível do ponto de vista socioambiental. Estudos da Empresa de Pesquisa Energética sugerem que a porção noroeste da bacia pode abrigar até 6,2 bilhões de barris de óleoequivalente. Essa expectativa de grandes reservas atrai investimentos, mas também provoca críticas de comunidades indígenas, cientistas e organizações não governamentais. O Instituto Internacional Arayara, por exemplo, destacou que vazamentos de fluido — embora biodegradáveis — evidenciam riscos estruturais da exploração de petróleo em uma região com grande biodiversidade e dependência de comunidades costeiras.
Por que isso importa para o Amapá
Para o Amapá e municípios próximos, como Oiapoque, a busca por petróleo na Margem Equatorial representa uma promessa de recursos e empregos. Ao mesmo tempo, a região abriga ecossistemas frágeis, com manguezais, recifes de corais e comunidades tradicionais que dependem do mar para sua subsistência. Qualquer incidente, mesmo envolvendo fluidos de perfuração biodegradáveis, desperta preocupações legítimas sobre o impacto em pescarias e na saúde do ambiente marinho. O vazamento recente reforça a necessidade de monitoramento rigoroso e transparência durante toda a operação.
Próximos passos
A Petrobras informou que trará as linhas à superfície para inspeção e reparo , e que as atividades só serão retomadas após avaliação técnica e autorização dos órgãos reguladores. Enquanto isso, a ANP e o Ibama já foram notificados do incidente. Mesmo em fase exploratória, a ocorrência alimenta o debate sobre a viabilidade e os riscos da exploração de petróleo na Foz do Amazonas. A população de Oiapoque e de todo o litoral amapaense deve acompanhar de perto as discussões, pois elas poderão definir os rumos do desenvolvimento regional nas próximas décadas.
Referências
CNN Brasil – Reportagem que detalha o vazamento de fluido de perfuração e informa que o acidente interrompeu as atividades por até 15 dias. https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/acidente-paralisa-perfuracao-na-foz-do-amazonas/
Misto Brasil – Nota sobre a confirmação de perda de fluido pela Petrobras e a declaração de que o material é biodegradável e não oferece risco imediato. https://mistobrasil.com/2026/01/06/petrobras-confirma-problemas-em-poco-na-foz-do-amazonas/#:~:text=A%20Petrobras%C2%A0informou%20nesta%20ter%C3%A7a,domingo%2C%20paralisando%20as%20atividades%20explorat%C3%B3rias
MoneyTimes/Reuters – Matéria que ressalta o comunicado da empresa sobre a contenção do vazamento, a ausência de prazo oficial para retomada e a localização do poço Morpho. https://www.moneytimes.com.br/petrobras-petr4-vazamento-de-fluido-paralisa-perfuracao-na-foz-do-amazonas-igdl/#:~:text=A%20perda%20de%20fluido%20foi,e%20reparo%E2%80%9D%2C%20informou%20a%20companhia
18 Horas – Cobertura regional explicando que o vazamento ocorreu em duas linhas auxiliares a 175 km da costa do Amapá e citando estimativas de paralisação de 10 a 15 dias. https://18horas.com.br/brasil/petrobras-paralisa-perfuracao-na-foz-do-amazonas-apos-vazamento-de-fluido/#:~:text=O%20Ibama%20concedeu%20para%20a,correspondem%20%C3%A0%20profundidade%20da%20%C3%A1gua
Comentários (0)
Compartilhe sua opinião!
Faça login para comentar e participar da discussão






